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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

INSÔNIA - Jacqueline Torres


Esta noite não tenho sono
Nem fome,
Nem velas,
Nem fogueiras, lustres, alfazemas
Batismo
Apenas uma teima
Um não querer render-se
à macróbia tarefa
entalada dentro das horas.
Sombreia a mão minhas paredes
Esta noite
o sono perambula nu pela rua
perfuma-se de demora
E pesa nas pálpebras sem rendição
Mais uma noite de insônia
fadiga-se de mim e ri sobre os lençóis...
Esta noite me vesti de sombras
E te recebi adornada de hipocampos
Junto de mim, o silêncio
A mão arremeteu uns versos
contra o cristal do abismo
Distraiu-se com nada
Gestou a chuva
Tomou-se de cio
E escreveu versos sem certeza
fecundados de insônia
Eras uma ilusão, um nó
Reformulou-se da terra que não dorme
das pétalas que contaminam de cor
a escuridão...
Então as cinzas que alimentam
os lírios
Cumpriram a garantia da vigília
E atravessei outra noite
tocaiando o sono ao pé de mim
Confidente eu do meu deserto
Serva dócil de minha insônia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Convite da Poetisa Jacqueline Torres para o lançamento do Livro Cosendo Palavras Soltas na Bienal do Livro em Pesqueira/PE


Mesmo quem esteve no lançamento do meu livro "Cosendo palavras soltas" na 9ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, ou em junho último na Academia Pesqueirense de Letras e Artes, sinta-se convidado(a) para nos encontrarmos amanhã às 20h na 1ª Bienal do Livro - Pesqueira/PE. 
Um evento como uma bienal abre espaço para várias discussões como a produção literária enquanto ato de escrever,  e mais outros aspectos desse processo, como a edição, a distribuição de livros, o público leitor, as políticas públicas voltadas para a cultura, etc.
O que se está produzindo hoje? Para quê e para quem? como está o nosso exercício de leitura?
Essas são algumas questões que apontam e que puxam outras, e que enriquecem na medida em que se amplia essa discussão com várias vozes e vários olhares acerca do tema.
Compareça!
Atenciosamente,
Jacqueline Torres

domingo, 22 de junho de 2014

Jacqueline Torres lança livro Cosendo Palavras Soltas

Livro Cosendo Palavras Soltas.
Foto: Adriana Leal.

Ontem (21), a poetisa Jacqueline Torres lançou o livro Cosendo Palavras Soltas, na Academia Pesqueirense de Letras e Artes (APLA), às 19h 30. Estiveram presentes representantes da APLA, Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira (Sopoespes), representantes do poder público e imprensa local. O cerimonial foi feito pelo poeta Genival Silva. Zuleide Siqueira representou a APLA, na ausência do presidente Sebastião Fernandes, que está enfermo; e Maria Rita, a Sopoespes.

Jacqueline Torres já possui uma longa caminhada no mundo das artes, sendo também atriz, além de escritora. Escreve desde os dez anos e já participou de várias coletâneas de poesia.  Faz parte da Sopoespes e da União Brasileira de Escritores (UBE).  É natural de Arcoverde, mas reside em Pesqueira e Recife.     “Lá em casa sempre teve muito livro, muito jornal, muita revista”, disse Jacqueline, lembrando de agradecer aos pais a herança cultural que foi concedida por eles à família.

Maria Rita, presidenta da Sopoespes, fez a apreciação do livro de Jacqueline. “Jacqueline apresenta apreciação profunda pela palavra”, disse Maria Rita na ocasião, que elaborou uma poesia em homenagem ao livro de Jacqueline, contendo todos os títulos das poesias.

Foi aberta uma oportunidade para que os poetas e poetisas da Sopoespes e APLA pudessem declamar, e vários aproveitaram a oportunidade, homenageando Jacqueline Torres. O evento foi finalizado com um momento para autógrafos.
 
Veja mais fotos:


Mesa solene com a escritora Jacqueline Torres; Zuleide Siqueira, representando a APLA e Maria Rita,
presidenta da Sopoespes. Foto Adriana Leal. 
Escritora Jacqueline Torres. Foto: Adriana Leal.

Presentes no evento. Foto: Adriana Leal

Prof. Francisco Aquino. Foto: Adriana Leal.

Zélia Costa e Genival Silva. Foto: Adriana Leal.

Jusa e Genival Silva. Foto: Adriana Leal.

Gera Santana. Foto: Adriana Leal.

Poeta Valter. Foto: Adriana Leal.

Poetisa Auzêh. Foto: Adriana Leal.

Maria Rita, presidenta da Sopoespes. Foto: Adriana Leal.

Entrega do exemplar do livro a APLA. Foto: Adriana Leal.

Momento de autógrafos. Foto: Adriana Leal.



segunda-feira, 16 de junho de 2014

Convite do Lançamento do livro da Poetisa Jacqueline Torres


O ÚLTIMO QUARTO - Jacqueline Torres




Sou a mesma que fui
Porém o amor em mim
muito mais de amor
muito mais incrustados amor, véu
auroras e infinitos
Muito mais silêncio sou
do objeto amado
Sou a mesma que fui
Só os meus olhos anoiteceram mais
       que o inverno oceânico
que as vazantes do mar
Guardo em gavetas velhas
em sacos escuros,
em fundos de jarros
atrás das touceiras do jardim
atrás das sombras leves
quando suspiram as bromélias
minhas paixões de ti
Não há forma
Não há tese que a justifique
nem luz alguma que a roube
Só uma perturbação no meio da noite
Como o latejar de uma unha chagada
uma insônia que deixa aberto
       os perfumes dos jasmins
Sou a que fui e mais de um pouco
       que nem sei
Desdobra-se o culto perpétuo e
       incomensurável dos teus olhos
cai nos versos, cai na prosa,
na areia, no gemido e na distância
em que as estrelas choram
nas minhas confidências mudas
Não está pautada minha nota
da canção de ti
não está expressa no estio do peito
no tom marinho dos grilhões
na epiderme da folha...
Guardei na envelope azulada
vencida de suspiros
todo o amor tolo e ascético
Toda a minha descorada alegria e
a que fui e que ocupa hoje o último quarto
Que só eu visito.








quarta-feira, 14 de maio de 2014

1º Chá Poético - Terça-feira, 13 de maio de 2014, às 19h30 - Casa da poetisa Jacqueline Torres

 Noite chuvosa e fria. Prestigiaram-nos com suas presenças os pais de Jacqueline que, aliás, o pai, poeta Satiro, brindou-nos com poesias de sua autoria caligrafadas décadas atrás. Declamamos entre aplausos e sorrisos; bons comentários e aqueles chás quentes, deliciosos, compondo a mesa farta de doces e salgados. Fizemos duas rodadas literárias com os seguintes participantes: Célio Guimarães, Genival Poeta, Jacqueline Torres, Maria José Gomes (Juza), Maria Rita, Zuleide Siqueira e Valter Leal. Genival homenageou o poeta Dedé Monteiro recitando o poema “DEPOIS QUE A FEIRA TERMINA”. Dedé Monteiro é membro da APPTA – Associação dos Poetas e Prosadores de Tabira, minha cidade natal. Contamos com a colaboração da amiga Olindina Guimarães, esposa de Célio. Olindina fotografou os momentos marcantes do recital. No encerramento, gentilmente, nossa anfitriã distribuiu sachês com pequenos trechos poéticos dos integrantes da SOPOESPES. Somos gratos ao esposo e filhos da poetisa Jacqueline Torres, que honrosamente nos receberam na sua residência para tão singular evento.

Maria Rita de Freitas Albuquerque
Idealizadora/Fundadora da SOPOESPES/Presidente.
Pesqueira-PE, dia 19














sábado, 19 de abril de 2014

AO 16 DE ABRIL DE 1987 - Jacqueline Torres


Levo 27 anos para escrever sobre aquele 16 de abril de 1987... Quinta-feira Santa, como se denomina. Semana Santa de 87. Não são vinte e sete dias, vinte e sete semanas, nem vinte e sete meses... São anos, longos vinte e sete anos. E tudo me parece recente, porque permanente. Porque está coberto de perpetuidade.  
Ao contrário do que se costuma dizer, eu estava no lugar certo, na hora certa... Porque tinha de ser. Porque minha sina poética talvez tenha encarnado definitivamente naquela noite tão repleta de misticismo. Que voz foi aquela que ouvi em mim? Quem determinou aquele homem cruzar literalmente a minha frente sem que eu lhe visse o rosto, sem que lhe visse os olhos de noite eterna, sem que percebesse sequestrada a minha alma para sempre?
 Depois daquela hora nunca mais meus dias amanheceram... Tornei-me mais crepuscular do que já fora até aquela data. Contudo não trouxe essa noite permanente aos meus dias nenhuma sombra, mas uma voluptuosidade serena, mística, vital a minha parca existência.  Custa-me escrever, mas a lembrança permanece acesa como uma chama inextinguível, escrever é só um sopro de alento ao coração, se é que ainda o tenho. A urdidura da vida teceu um destino aos meus passos, foi precisa e inexorável... Definitivamente, não entramos na vida de ninguém sem um propósito. Só lastimo amargamente que alguns passem tão breve. Mas em mim o que rasgou no peito e fendeu a alma não ficou no calendário num 16 de abril tão distante, foi cesura que alcançou meu cerne, minha escrita, minha mortalidade eterna. Meu para sempre.


Jacqueline Torres, em 16 de abril de 2014.

domingo, 23 de março de 2014

O CINZA - Jacqueline Torres


A cor cinza é sempre das estradas
dos céus chuvosos
Do aceno de adeus
Da pausa em meio à frase
A cor cinza é sempre da caatinga
É sempre deste meu peito
Não importa o meu riso −
A decoração da sala íntima
é sempre da mesma cor
Os fios elétricos
os postes tísicos
A cor cinza é sempre minha lágrima
Meu suspiro de areia, cinza
...Da velha fuligem
em torno do velho fogão de lenha
que me persegue,
que me queima a memória exausta
e solitária!
A cor cinza sopra o capim
E troveja órfãos trovões
pelas serras cinzas de pano
O vento é cinza,
minhas saudades, o poço
a fumaça distante,
a pausa,
o porto e o ponto.


Texto publicado no livro da autora “Cosendo Palavras Soltas”

quinta-feira, 13 de março de 2014

NESTA ESTAÇÃO - Jacqueline Torres


Nesta primavera
vou plantar palavras
para colher floridos versos
no início do verão
Invertendo a natureza
Rindo do meu abuso
E adornar meus vasos de alabastro
junto as minhas janelas no inverno
Vou semear
na tepidez do peito
sementes dormidas
e passageiras
E deixar que se abram perfumadas
quando as estações
propícias chegarem
E minha destra colher meus versos
para ornar o papel
que descansado
repousará sobre a minha mesa
Vou desarranjar o vento
E vou cozer o lume do sol
nos limites das folhas
para fazer explodir metáforas,
reticências,
delicada plenitude do absurdo
onde a palavra retira a mácula
do cansaço diário
E rasga sem reservas
vida em abundância
na plenitude da semente
na fertilidade alva e macia
do pólen de um poema
plantado na folha.

sábado, 8 de março de 2014

8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER - Jacqueline Torres




Estava procurando algumas matérias para o dia “8 de março” e encontrei uma avalanche de “coisinhas” tipo: “Mulher símbolo do amor, da graça, da beleza... Mulher é uma jóia... uma flor... um encanto... sonhadora, meiga, paciente, encantada...” Até quando vão nos ver como uma espécie de bibelô? Que nos cabe alguns desses atributos, até acho, igualmente, os cabem a alguns homens. Mas por traz desse derramamento de predicativos sedosos e lustrosos estão os conceitos de incapacidade, devaneio, futilidade, material de posse, função utilitária... Penso que muitos homens consideram a mulher com seu devido valor, e são esses que combatem ao nosso lado por direitos iguais e respeito às questões de gênero.

Não creio que excedo no meu olhar, mas pouco vejo de prática na sociedade que contradiga a minha fala. Mulher é de luta! Mulher é resistência! Mulher faz história! Quero estar ligada a predicativos que me reconheçam com a minha força humana de combate e não como uma delicada e delgada flor pendida em um vaso de porcelana.

MEUS PARABÉNS A TODAS AS MULHERES ESCRITORAS, DA PROSA E DO VERSO E TODAS AQUELAS QUE ESCREVEM COM A PRÓPRIA VIDA NA MEMÓRIA DA HISTÓRIA A SUA PROSA DIÁRIA.

VIVA O DIA 8 DE MARÇO! DIA DA MULHER, DIA DE LUTA!


Jacqueline Torres – Escritora, membro da UBE União Brasileira de Escritores – Seção PE e da SOPOESPES – Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

AS COISAS QUE ESTÃO EM MIM - Jacqueline Torres

Tenho parte das coisas em mim.
Sou constituída de pedaços...
As reticências dos riachos
Horas vazias de espaço
Do que choro
sou parte o Capibaribe
Dos meus cheiros sou
caatinga e alecrim
Olhos das dezoito horas
o “m” que está no fim
Tenho terras de deserto
suspiros  dos desassossegos
O ponto final das pedras
A exclamação das asas
Das rochas o calcário sossego
O medo
Tenho o desamparo
o aro que prende a vida à morte
O punhal do ponto que
fere o poema
Tenho os danos do esquecimento
A idade perdida de aflição
Parte que chega
Tudo o que some
Cardume de peixes violetas
Nas violentas águas
desse rio sem nome
Tenho parte das coisas em mim
E assim
sou incompleta
de riso e de dor
sem cor
Devaneios tortos eu tenho
A poeira dos livros
Os lírios do branco, o campo
o brando calor do lenho...

Por que então não me acho?!


( Jacqueline Torres )

OUTROS DIAS - Jacqueline Torres

Não terei pelos calendários
nenhuma lembrança guardada
pra deixar para algumas
futuras quartas-feiras que virão
Meu nome será leve
e incômodo de dizer
Dito
a brisa soprará mais triste
O vento irá bramir baixinho
Não terei pelos calendários
a cor dos meus cabelos
nem meus olhos noturnos
Meu retrato plasmado de infinitos
de incógnitas e de amores indizíveis ficará.
Ficará pelo filtro da retina distante
e viva eternamente fixa.
Nada saberão de mim outros dias
de meu coração queixoso
de meu séquito de solidão e pesar
que segue
e que segue
lento
pelas vias mal calçadas
de meus tristes versos.


( Jacqueline Torres )

QUANDO CHEGASTE - Jacqueline Torres

Interrompeste o meu verão
com o pão dos teus olhos e
com as tuas mãos iluminadas de aroma
E eu outonei
meu coração inquieto
E fiquei do meu canto
te seguindo a voz
Alimentei-me de teu nome de trigo
e poente
E revolvi a terra
dos  meus vasos
com o regresso de tuas palavras
me chamando o nome.


( Jacqueline Torres )

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O CINZA - Jaqueline Torres de Souza

A cor cinza é sempre das estradas dos céus chuvosos
Do aceno de adeus
Da pausa em meio à frase
A cor cinza é sempre da caatinga
É sempre deste meu peito
Não importa o meu riso -
A decoração da sala íntima
É sempre da mesma cor
Os fios elétricos
Os postes tísicos
A cor cinza é sempre lágrima
Meu suspiro de areia, cinza
...Da velha fuligem
Em torno do velho fogão de lenha que me persegue,
Que me queima a memória exausta
e solitária!
A cor cinza sopra o capim
E troveja órfãos trovões
Pelas serras cinzas de pano
O vento é cinza,
Minhas saudades, o poço
A fumaça distante,
A pausa,
O porto e o ponto.

Jaqueline Torres de Souza