Mostrando postagens com marcador Adriana Leal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adriana Leal. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de março de 2015

Resiliência de alma - Adriana Leal


Começar tudo de novo depois de uma crise
Um parente querido que se foi, uma mudança de trabalho, uma doença que chegou
Como, porque comigo? Perguntamos. Questionamos Deus
Mas porque as coisas ruins não podem ser transformadas em boas?
Porque não ajuntar as pedras que nos jogaram para formar um canteiro de rosas?
E aquela pessoa que foi embora, porque não guardar as coisas boas e deixar ir? Porque tudo chega à nossa vida e vai embora ao tempo determinado
E a doença, porque ao invés de nos lamentarmos, não lutaremos contra ela?
Porque não paramos de olhar para o próprio umbigo e nos envolvemos em causas para ajudar o nosso próximo que tem uma vida extremamente pior que a nossa?

Resiliência: a capacidade de voltar ao estado inicial após uma crise
Que não nos deixemos abater pelas perdas, pelas lutas, pelos açoites da vida
Que tenhamos sempre esperança de dias melhores, ainda que não vejamos saída
Que olhemos para Deus nos momentos difíceis com a certeza de que ele pode mudar qualquer situação
E não nos deixemos impressionar nem com as coisas boas, nem as ruins, pois ambas passam. As primeiras, temos a sensação de que vão ligeiro, e as segundas parecem que demoram uma eternidade. Tudo impressão nossa

Mesmo diante de tudo, lutemos pelo direito de construir a nossa felicidade, entregando apenas a nossa vida a Deus, sem depender de ninguém
Que nenhum ser humano seja responsável por nos fazer feliz, mas que cada um construa a sua felicidade
Que jamais culpemos os outros pela nossa infelicidade, pois somente Deus pode nos dar a alegria de viver

Que a resiliência de alma faça parte das nossas vidas, que seja uma teimosia constante de ser feliz
E quando as crises chegarem, seremos fortes, esperando o mau tempo passar e construindo um novo futuro, que pode ser melhor que o estado anterior

E teremos mais serenidade para conviver com as adversidades da vida, mais fortalecidos, mais confiantes, tendo a certeza de que nada é eterno, do que é bom pode ser melhorado, e que as coisas ruins um dia vão embora. E nosso foco não será mais os espinhos, mas o perfume das rosas; nem as nuvens cinza, mas a transparência da água e nem o ardor do sol, mas o seu brilho que aquece e promove a vida

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Como não te amaria, Natal? - Adriana Leal


Cidade do Sol, Lugar onde nasci
Canto onde está o meu povo
Terra onde vivi

Como não te amaria, se acolhes os meus?
Com teus ares, tua brisa, com o mar que brilha
Sou feliz por me ter colocado nesse lugar Deus

Nem acredito que um dia, esse lugar deixei
Por motivo de força maior
Sai do lugar que sempre tanto amei

Lembro-me que triste, chorando
Deixava minha Natal
Pra viver em outros estados há 14 anos

Outros lugares lindos vi
Conheci outros Brasis
Mas não deixo de amar, Natal, que sempre me faz feliz

E dizia pra mim mesma
Quem sabe um dia
De Natal me esqueceria?

Mas tantos anos se passaram, que nem percebi
Descobri que foi em vão
Na verdade nunca quis, esquecer-se do lugar em que nasci

E hoje com muita saudade, quando demoramos a nos encontrar
Parece que vou ficando doente
Uma tristeza tamanha, que é difícil de falar

E devido a tantos compromissos, nem sempre posso ir
Ao lugar onde nasci
Canto que me faz tão feliz

Mas a hora chega um dia, sempre almejo
Pois sem ir a Natal não vivo
E enfim chega o momento

E que dia especial, são esses em que revejo
Com o coração alegre
Meu lindo lugar, que amo

Sinto o cheiro da terra, a brisa sem igual
Contemplo com satisfação
Essa terra Natal

E digo: “Como não te amaria, bela Natal?”
Onde plantadas foram minhas raízes
Neste lugar sem igual.


Adriana Leal - 09/12/2014

domingo, 12 de outubro de 2014

Ser Criança – Adriana Leal

Ser Criança – Adriana Leal

“Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus.” (Lucas 18:16)

Se a gente fosse mais criança não guardaríamos tanto rancor. Os insultos, as brigas, amanhã seriam apagados sem mágoa. E a gente iria sorrir novamente sem aquele peso no coração.

Se a gente fosse mais criança aprenderíamos a dar mais valor às coisas simples. Brincar na chuva, pegar na terra, abraçar as árvores, empinar pipa, correr na praia. Pararíamos de dar tanto valor ao que não tem valor, às coisas passageiras e materiais.

Se a gente fosse mais criança seríamos mais inocentes, não julgaríamos tanto. Seríamos mais livres para ser quem somos, e pararíamos de tanta especulação. A gente acreditaria mais nas pessoas, sem medo.

Se a gente  fosse mais criança nós não nos preocuparíamos tanto. O dia de amanhã não seria mais problema.  Nós deixaríamos mais as neuroses, o temor de acontecer aquilo que provavelmente nunca acontecerá, pois estaríamos muito ocupados sendo felizes.

Se a gente fosse mais criança diríamos mais a verdade. A gente não seria tão falso, dizendo coisas para agradar, para obter algum benefício. Poderíamos confiar que não vão falar mal de nós nas nossas costas, pois as coisas que deveriam ser ditas, já foram ditas a nós mesmos, sem maquiagem, sem hipocrisia.

Se a gente fosse mais criança, seríamos mais gente, mais feliz, mais humano. Que aprendamos com as crianças a voltar à nossa meninice.


sábado, 2 de novembro de 2013

Maria Rita: uma sertaneja do Pajeú na democratização das letras e artes - Adriana Leal


Diante de um quadro ainda existente da dominação feminina, o papel da mulher como cidadã, digna de expressar seus valores, ainda é algo novo nos tempos de hoje. Desta forma, a vida da escritora Maria Rita de Freitas Albuquerque, 50 anos, natural de Tabira, evidencia que uma das quebras das algemas da mulher pode ser a expressão artística.
Em pleno sertão do Pajeú, na zona rural de Tabira, nasce Maria Rita, que aprendeu desde o berço a apreciar os fenômenos culturais ao seu redor. Coincidência ou não, o Pajeú é conhecido por possuir a maior concentração de poetas por metro quadrado no mundo, o que talvez explique a tendência natural ao apreço às letras de Maria Rita, uma vez que seu pai e avô foram artistas populares.
Assim, com seis anos de idade teve início a carreira literária de Maria Rita, escrevendo as suas primeiras poesias. Já com 13 anos a escritora passou a escrever sonetos e peças teatrais para a escola onde estudava.
Hoje, casada e mãe de uma filha, Maria Rita já tem uma longa jornada literária. Somente de Antologias Literárias já participou de nove, e é escritora dos livros Poesias para Crianças e Adolescentes e Raul – Um Cajueiro do Sertão, que é uma biografia em versos.  É membro de uma grande variedade de Academias de Letras no Brasil como a União Brasileira de Escritores, a União Brasileira de Trovadores, a Sociedade de Cultura Latina do Brasil, dentre uma dezena de outras, possuindo uma variedade de trabalhos publicados em jornais do país, tendo sido colunista de alguns, e ainda cooperado na fundação de sociedades de poetas, reunindo artistas populares e promovendo a democratização das letras e artes. Criou a Sociedade dos Poetas e Escritores do Sertão do Pajeú, a Academia Afogadense de Letras e o Grupo Literário de Triunfo, que se transformou na Academia Triunfense de Letras e a Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira, mostrando que é possível fazer diferença como mulher e escritora, levando o amor à arte inclusive aos poetas populares, como ela mesma diz: “Sou entusiasta do sucesso coletivo”, que leva cultura em todos os lugares por onde já residiu e promovendo o papel da mulher sertaneja.
Hoje em dia Maria Rita continua escrevendo e lendo muito. Lê cerca de 15 livros de uma vez, grifando com lápis de cor os trechos de uma forma que só ela sabe fazer. Seu livro preferido é a Bíblia, que lê todos os dias sem falta, mostrando ser mulher de muita fé.

Tendo sido reconhecida apenas quando começou a publicar seus trabalhos em Recife, Maria Rita passou por uma série de preconceitos relacionados à sua escolha de ser poetisa, e pelo fato de ser mulher. Ainda assim, mostrando que é possível ser protagonista da própria história quando se tem apego e apreço ao que se faz, Maria Rita caminha na carreira prometendo ainda muito material literário de qualidade e mobilização da democratização da arte.   “A poesia é parte fundamental da minha vida. Eu não sei existir sem ser poetisa”, conclui de si mesma.